A magnífica exposição “Arte & Moda”, patente no Museu Calouste Gulbenkian até dia 21 de Junho, propõe um diálogo entre obras da colecção do Museu e criações marcantes da alta-costura dos últimos 150 anos.
Ao longo do percurso somos surpreendidos por cerca de 100 obras, do Antigo Egipto ao século XX, apresentadas lado a lado com 140 peças de designers como Dior, Cristóbal Balenciaga, Yves Saint Laurent, Gianni Versace, Jean-Paul Gaultier, Vivienne Westwood, Alexander McQueen, Guo Pei, Hubert de Givenchy e Azzedine Alaïa, assim como criadores portugueses como Alves/Gonçalves, José António Tenente, Maria Gambina, Miguel Vieira, Nuno Gama e Nuno Baltazar.
Uma mostra com uma curadoria extraordinária, extremamente bem organizada, que me deixou absolutamente deliciada, algo que já não é fácil acontecer.
“Art & Fashion” at the Calouste Gulbenkian Museum, on view until June 21.
A beautiful dialogue between art and haute couture, bringing together iconic designers and timeless works across centuries.
An exquisitely curated exhibition that truly delighted me, something that is not easy to come by these days.
Magnifient Gold de Guo Pei (Haute Couture 2006), um vestido que é uma autêntica obra de arte.
John Galliano para Givenchy
Gianni Versace (Primavera/Verão 1991)
Em destaque, Kenzo Takada (Outono/Inverno 1997/98).
Alexandre Mcqueen para Givenchy ao lado de um Panejamento (Turquia, Bursa, período Otomano).
Entre as várias intercepções entre arte e moda, a cerâmica islâmica, enquanto tela para o design, é uma dos que mais me fascina. A riqueza dos padrões geométricos, a delicadeza dos motivos ornamentais e a intemporal combinação de azuis e brancos continuam a inspirar criadores de diferentes áreas.
Nesta relação entre tradição e inovação, destacam-se o vestido Blue and White Porcelan, de Guo Pei, Ocean Travels (2008), de Li Xiaofeng, construído a partir de fragmentos de porcelana da Dinastia Ming unidos por aço inoxidável, e o vestido Sail dos Storytailors, apresentado na colecção Primavera/Verão 2016), numa interpretação contemporânea deste património visual.


Igualmente magnífica, a escultura Past Presence Nº1 (2016) de Li Xiaofeng, também construída a partir de fragmentos de porcelana da Dinastia Ming unidos por aço inoxidável.
Uma curiosidade, sobre este escultor, utiliza porcelana quebrada para simbolizar que a história pode estar partida mas ainda pode ser transformada em algo novo e belo.
A moda e arte na cultura japonesa são reflexo de uma estética singular e profundamente identitária. Símbolos como o Quimono habitam o imaginário de qualquer apreciador de moda, tal como os delicados objectos em laca, entre os quais se destaca o inrõ.

Vestido de Tsumori Chisato, da colecção Prêt-à-Porter Outono/Inverno 2007.
O magnífico vestido de Guo Pei, Legend of the Dragon, inspira-se no dragão de cinco garras, símbolo imperial que representa a ordem cósmica. Na dinastia Qing a moda era uma forma de arte e poder, reflectindo hierarquia, estatuto social e simbolismo espiritual através das cores, dos números e dos motivos figurativos, tecidos em materiais luxuosos. Arte e moda fundiam-se, já que muitos dos bordados imperiais e trajes cerimoniais eram produzidos nos mesmos ateliers que criavam pinturas, porcelanas e lacas, sob supervisão da corte.
Outra peça da coleção Legend of the Dragon de Guo Pei.
Em cima à esquerda coordenado feminino de Alexander McQueen para Givenchy, do mesmo criador, casaco, também para Givenchy (primavera/verão 1998), junto a um magnífico biombo de Coromandel.
Uma das peças que mais me arrebatou foi este vestido, e capa em seda, de Alexander McQueen para Givenchy (Haute Couture Primavera/Verão 1997).
À esquerda vestido de festa de Cristóbal Balenciaga (década de 50).
Vestido de Thierry Mugler (Prêt-à-Porter Outono/Inverno 1986), junto ao quadro Palas Atena de Rembrandt.
Do lado direito, ao centro, coordenado feminino Kiss me Dogan de Christian Lacroix.
Extraordinário corpete, da mesma colecção Kiss me Dogan de Christian Lacroix (Haute Couture (Outono/Inverno 1992/1993).
Belíssima composição, destaque para o vestido em ganga e penas de avestruz L´Écume das Jours, Jeans Paul Gaultier (Haute Couture, Primavera/Verão 1999).
Portugal também está bem representado, com várias peças cedidas pelo MUDE, caso desta jaqueta de Nuno Gama com bordados dourados e o nosso brasão.
Mais uma obra-prima de Guo Pei, vestido Fénix e Peónia.
Em cima, à esquerda, vestido Elsa Schiaparelli (Haute Couture Primavera/Verão 1953)
Em baixo, mais uma esplendorosa criação dos Storytailors, colecção Under my Skin (Primavera/Verão 2012).
Vestido Nuno Baltazar (Portugal 2016), junto a cómoda Jean Deforges.
Destaque também para o Retrato de Camille Monet, Pierre August Renoir e As Bolas de Sabão de Édouard Manet.
Mais uma peça deslumbrante e repleta de detalhes, Vestido Princesa Árabe de Guo Pei.

Coordenado feminino com vestido e capa de Christian Lacroix (Haute Couture Outono/Inverno 1995/1996).
Destaque para o vestido branco em crepe de seda e lantejoulas de Hubert de Givenchy (Haute Couture Primavera/Verão 1995).
Uma belisima ligação entre a representação floral na pintura e na moda. Este vestido de cocktail é uma criação de Hubert de Givenchy (Haute Couture Outono/Inverno 1954) e o quadro Cesto de Flores de Eugène Delacroix.

Peças que nos remetem para o universo dos deuses e deusas. A iconografia mitológica que atravessa séculos de arte ocidental encontra em O Espelho de Vénus, de Sir Edward Burne-Jones, uma das mais belas representações da deusa romana do amor e da beleza, cuja elegância continua a inspirar criadores como Azzedine Alaïa e Madame Grès, mestres na arte de esculpir o corpo através do drapeado.

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